31 outubro, 2019

São tantas emoções


São tantas emoções - já dizia o cantor popular.
E experimentamos essas emoções no nosso corpo, não na nossa mente.
A emoção é antes de tudo um estado físico.
Não falamos do medo de ficar com o coração na boca? Ou da alegria de sentir o coração leve?
Existe uma ligação entre o cérebro e o coração. Uma ligação física entre o nosso cérebro emocional chamado de límbico e o nosso coração.

A coisa funciona assim:
Temos um cérebro chamado cognitivo que é: educado, racional, diplomático, controlador e um cérebro límbico: emocional, primitivo, tipo homem das cavernas,que fica ali no fundo em guarda.
Quando ele percebe o perigo ou uma oportunidade excepcional,um inimigo ou uma pessoa atraente, ele aciona o alarme, e em milésimos de segundos ele cancela todas as operações e interrompe todas as atividades do cérebro cognitivo.
E isso continua acontecendo hoje com o homem e a mulher modernos, então nos descobrimos emotivos demais ou completamente irracionais.
Um ataque de ansiedade - o pânico - nasce desse jeito.
As imagens que vemos e os sons que ouvimos são o botão vermelho das nossas emoções.

Cuidado com as imagens que você deixa entrar e com as palavras e sons que penetram em você.
Por isso os mantras são tão importantes para acalmar esse cérebro selvagem.
Por isso contemplar a natureza é tão relaxante.
E não adianta pensar que você pode cultivar o controle de tudo através do cérebro cognitivo, é como jogar lixo embaixo do tapete, uma hora ele acaba aparecendo e aí o caos se instala. Importante é ter inteligência emocional, desenvolvendo a harmonia entre esses cérebros, meditando.

Meditar não é sair desse mundo. É entrar profundamente nele. É estar presente como um sorriso interno. Respirando e conectando com nosso coração no dia-a-dia. Pode ser num supermercado, no carro, no trabalho, com nosso filhos, com nosso amor.

Dizem os budistas que podemos transformar emoções negativas em virtudes. Que a energia da raiva é a mesma do amor, só que num pólo diferente. Que a energia da inveja é a mesma que a da admiração.Que a energia do medo é a mesma que a da coragem. Que a energia da ignorância é a mesma que a da sabedoria. É como uma alquimia, o nosso ouro interior surge quando nos aceitamos com críticas e confiamos na nossa natureza pura, na nossa luz.

O segredo é aceitar nossa natureza que pode estar encoberta. Mas está lá, sempre esperando por este momento. Quando você olha para dentro e entende que é assim a complexidade da vida. E confia.




Mirna Grzich

30 outubro, 2019

Rota da Inalação

A maior parte dos efeitos curativos dos óleos essenciais ocorre, sobretudo, através da própria inalação, por via da mente e de alguns caminhos emocionais.




Rota Cerebral:

óleos essenciais vaporizados --> 
entra no nariz --> 
passa através da cavidade nasal --> 
células receptoras --> 
sinal eletroquímico --> 
bulbo olfativo --> 
sistema límbico -->
amígdala hipocampo|córtex --> 
hipotálamo -->
interfere no sistema endócrino e no sistema nervoso --> 
efeitos emocionais.


Rota Pulmonar:

óleos essenciais vaporizados -->
entra no nariz -->
passa através da cavidade nasal -->
entra nas membranas mucosas -->
corrente sanguínea --> 
efeitos físicos.




Shirley Price - Aromaterapia e as Emoções

Notas Aromáticas

por Milene Siqueira

Os óleos essenciais (oe) estão classificados em três níveis olfativos caracterizados por suas notas, são elas: alta (ou topo/cabeça/saída), média (meio/coração/corpo) e de base (básica/fundo), que referem-se a taxa de volatilidade de um oe. 

Assim, as notas altas são a primeira impressão olfativa a serem sentidas em um perfume. Já o que permanece e fixa o aroma são as essências de notas base, as quais serão sentidas por longo tempo. As médias são a alma, o coração de uma fragrância, e fazem o vínculo harmonioso, ligando notas altas à básicas, e predominam assim que a nota alta se dispersa.
Uma bela "melodia" olfativa irá depender deste prévio conhecimento trino, ou de uma boa percepção intuitiva!

Cada óleo essencial é classificado por notas dentro das famílias aromáticas e mais precisamente de forma individual.
Há também óleos essenciais com notas intermediárias (ex.: base leve, média para básica), e outros com várias notas ao mesmo tempo (multinotas), também consideradas essências de ponte. A maioria dos livros de consulta a óleos essenciais traz a referência de qual nota pertence cada oe (havendo também divergências ou classificações pessoais conforme cada autor). 
Em geral, considera-se:
Nota alta: cítricos, mentolados, canforados, coníferas.
Nota média:  florais, especiarias, herbáceos.
Nota básica: amadeirados, terrosos, resinosos, doces/abaunilhados.

Mas não é só para a perfumaria que o conhecimento de notas aromáticas vale, mas quando pensamos em tratamento, em Aroma como Terapia (Aromaterapia!), e mais específicamente em Psicoaroma!

As características abaixo servem como ponto de partida, pois cada família aromática e especialmente cada óleo essencial carrega consigo singularidades devendo-se, portanto, levar em conta demais aspectos.

Nota Alta - Vamos imaginar o Eucalipto ou um Limão, o frescor, a limpeza, pureza... 
Os aromas com nota alta são os mais voláteis, impetuosos, lúcidos, brilhantes, juvenis; são como a brisa que abranda no alto verão. São aromas que movimentam, despertam! 
Grande parte tem ação solvente, adstringente e emoliente. 
Atuam melhor nos aspectos da mente consciente (acontecimentos presentes, instantâneos e periféricos). Agem rapidamente, guiam e ajudam pessoas que precisam suavizar a jornada, trazer luz, alegria, ânimo, leveza, flexibilidade, desapego, alívio, descongestionar. Abrir "caminhos", pensamentos e a respiração. 
Pensando nisso tudo, dá para entender porque somem tão rápido quanto chegam... são livres, leves e soltos! "Acendem a luz" e concedem passagem! 


Nota Média -  Ligação. Podemos imaginar ou sentir um Ylang Ylang ou um Gerânio. Os aromas com nota média corporificam, envolvem, enlaçam. Traz totalidade, característica da união harmoniosa a que são destinadas. 
A maioria destas essências é sedativa. Atua melhor nos aspectos da mente pré-consciente/subconsciente (acontecimentos do passado com fácil acesso a recordar, crenças adquiridas, automáticas - nível mental intermediário).
Essas essências exalam conforto afetivo, e propiciam virtudes para a resolução de questões ligadas ao afeto, pois se as notas altas atuam pela abertura da respiração, aqui a abertura se dá à nível de coração, de completude.
São sedutoras, envolventes, hipnóticas! 
Em particular as notas médias florais, irão mexer positivamente com a libido, propiciando contato verdadeiro e entrega.
Notas médias conectam, estabelecem vínculos legítimos, celebram a harmonia, beleza e autenticidade. A paz resultante é acolhedora, calorosa e compartilhada.


Nota Básica - traz a estabilidade. Podemos lembrar do Cedro ou do Olíbano. Nesta nota estão os aromas que "permanecem", e nos remetem à valores hierárquicos:  familiares, ancestrais, religiosos, superiores. 
Nos organiza à partir de nossos apoios essenciais e estabelecendo conexão intuitiva. Traz profundo sentido de proteção. Razões pelas quais nesta classe olfativa está a maioria dos oes usados nas práticas religiosas e meditativas. 
Desenvolve confiança, firmeza, nobreza e liberdade responsável, freando compulsões e auxiliando estados mentais conturbados. Atua melhor nos aspectos da mente inconsciente (arquivos sem lembrança, memórias não codificadas). 
Muitos oes de nota de fundo são viscosos, gosmentos, resistentes! 
Estes oes mais densos fazem um mergulho ainda mais profundo na mente, rastreando as portas do inconsciente e trazendo à tona lembranças, insights ou sonhos - em geral são memórias de afeto, proteção, espiritualidade, poder pessoal; mostra à consciência aquilo que está guardado a espera de luz, significado e acolhimento; ao mesmo tempo em que desperta nossas fontes energéticas que sustentarão a permanência destes valores.
Podem nos dar conforto em vários níveis, pois nesta classe está a maior parte das essências que nos dão suporte, chão, raiz. 




Imagens que ilustram este post: obras com ref. a Vincent Van Gogh



Meditando com os óleos essenciais


Inspire profundamente o aroma por três vezes, soltando o ar também pelo nariz.
Mantendo os olhos abertos, imagine sua consciência se dissolvendo dentro do aroma, como se estivesse tocando-o, imergindo nele, fluindo com ele.


Quando atingir o ponto de saturação, feche os olhos para se distanciar de todos os sentidos que não seja o olfato.
Deixe-se viajar profundamente para dentro de você, preservando o aroma que escolheu, e toque-o com sua visão dele. 


Construa uma imagem interior da essência - a essência da essência. Imagine-a como um espectro, um animal, uma lembrança, uma música ou uma dança, qualquer coisa que lhe pareça inteiramente representada pela impressão profunda do aroma. Você verá que cada aroma sob o qual meditar cria uma imagem interna e uma experiência meditativa diferentes.


Recomece. Repita as fases exterior (olhos abertos) a interior (olhos fechados) alternadamente, até que sua alma se sinta plena. Depois date e anote suas percepções sobre as meditações.

___________

Esse exercício a ajudará a incutir em sua consciência uma conexão viva com uma essência específica e, através dela, com a dimensão espiritual dos aromas em geral.



Mandy Aftel em Essências e Alquimia

29 outubro, 2019

Confiando no nariz!


"...O sintoma da hiperosmia, uma percepção olfativa exacerbada, que pode aparecer como aura na epilepsia, em histéricos e durante a gravidez, mostra um retorno a épocas arcaicas, quando um olfato sutil ainda tinha algo a dizer.
Caso nós, modernos, voltássemos a viver de acordo com nosso nariz e a valorizar o olfato, algumas coisas seriam mais simples e mais fáceis. Criaríamos para nós mesmos um mundo diferente do nosso “mundo óptico".


A alienação do nariz reflete um mundo em que vastas áreas cheiram mal, e que portanto cheira mal para nós. Ter faro para algo significa ter uma sensação segura em relação a esta situação; seria desejável, para nós e para nosso mundo, que reaprendêssemos a confiar mais no nariz."



Rudiger Dahlke em A Doença como Linguagem da Alma (nariz e olfato).

Dez razões para se utilizar óleos essenciais


1. oxigênio para as células: óleos essenciais puros oferecem altos níveis de oxigênio para as células criando uma atmosfera onde os patógenos não conseguem sobreviver. (via olfativa)

2. rico em antioxidantes: óleos essenciais são ricos em propriedades antioxidantes, que os tornam resistentes à infecção, mantendo a saúde. (via olfativa, dérmica, culinária)

3. Íons negativos: óleos essenciais criam um ambiente de íons negativos, que são hostis a patógenos e outros agentes causadores de doença. (via difusão ambiental)

4. imunoestimuladores: muitos óleos essenciais são imunoestimuladores, isto é, impulsionam um sistema imunológico enfraquecido, ajudando assim a um bom funcionamento do corpo. Lavanda, Limão, Tea Tree são exemplos. (via olfativa, massagem)

5. propriedades anti-germicida: a maioria dos óleos essenciais tem função na natureza como anti-virais, anti-fúngicos, anti-parasitas. Logo, isso ajuda a eliminar a possibilidade de infecções por micróbios. (via difusão ambiental, olfativa, dérmica)

6. capacidade de romper barreira sangue-cérebro: óleos essenciais são lipofílicos, ou seja, atravessam a barreira  sangue-cérebro, sem dificuldade. (via olfativa)

7. freqüência elétrica: devidamente extraídos os óleos essenciais têm frequências elétricas que levantam o corpo para uma frequência de nível superior, tornando-o livre de doenças. Óleos essenciais puros tem uma frequência elevada, entre 52 a 320 MHz. (via difusão ambiental/áurica, olfativa)

8. endorfinas para o bem-estar: quase todos os óleos essenciais estimulam a liberação de endorfinas, que criam uma sensação de alegria no corpo. As endorfinas conseguem relaxar o corpo, aliviando o estresse físico e emocional. (via olfativa, difusão ambiental)

9. quelantes naturais: a maioria dos óleos essenciais têm a capacidade de conduzir as toxinas (elementos metálicos) para fora das células. (via olfativa, oral sob orientação)

10. nutrientes vitais: todos os óleos essenciais fornecem oxigênio e outros nutrientes vitais para as células desnutridas, criando uma sensação de plenitude e bem-estar. Logo, eles curam da maneira mais natural possível.(via olfativa, massagem)





Estudos com sálvia, orégano e tomilho - depressão

Contra depressão e ansiedade: sálvia(dalmaciana), orégano e tomilho

Apimentar e temperar os nossos pratos favoritos pode fazer bem não só para o paladar, mas principalmente para as funções neurais. As pesquisas ainda estão em andamento, mas há comprovação de que especiarias e ervas, como sálvia, orégano e tomilho, contêm grandes quantidades de flavonoides, e estudos recentes sugerem que esses compostos que estimulam o funcionamento do cérebro podem ter efeitos sobre o humor.

Vários trabalhos mostraram que depois de ingerir uma cápsula de óleo de sálvia (comum e espanhola) voluntários imediatamente apresentaram melhor desempenho em exercícios nos quais deveriam lembrar palavras, principalmente em relação a pessoas que haviam ingerido placebo. Participantes que tomaram o óleo disseram que se sentiam mais concentrados, tranquilos e satisfeitos. Psicólogos da Universidade Nortúmbria em Newcastle, Inglaterra, descobriram que simplesmente cheirar o extrato de sálvia pode reproduzir alguns desses efeitos. Em julho de 2010, os pesquisadores relataram que pessoas que se submeteram a uma bateria de testes por computador numa sala aromatizada com sálvia comum apresentaram memória mais precisa que aqueles que realizaram os mesmos exames em ambiente desodorizado.

Estes e outros estudos, entretanto, empregaram óleos essenciais - extrato concentrado da planta, usado em aromaterapia - e não as folhas de sálvia secas ou frescas usadas na culinária caseira. Ainda assim, os cientistas acreditam que comer regularmente a folha de sálvia pode produzir efeitos similares de estimular a memória, embora de modo mais moderado. A razão disso é que a planta é rica em hispidulina, um flavonoide que em estudos de culturas de células parece interagir com receptores de células cerebrais formando ácido gama­-aminobutírico (Gaba, na sigla em inglês) - um neurotransmissor que afeta justamente a cognição e os estados de ânimo.

Flavonoides encontrados em outros temperos também podem, comprovadamente, produzir mudanças observáveis no humor - pelo menos em roedores. Há poucos meses farmacologistas da Universidade Federal do Ceará relataram que o flavonoide carvacrol, presente em grandes quantidades nos óleos essenciais de orégano e tomilho, age como antidepressivo em camundongos. Depois de ingerir uma solução, os roedores se mostraram mais ativos ao tentar escapar do tanque de natação - usado para avaliar o estado de depressão dos animais, que quanto mais deprimidos e apáticos menos se esforçam para vencer o desafio. Bloqueando diferentes reações químicas no cérebro de camundongos, os pesquisadores mostraram que os efeitos do carvacrol dependem de sua interação com a dopamina, um neurotransmissor envolvido na busca de recompensas. Ainda não está claro, no entanto, se ingerir pequenas quantidades de orégano e tomilho poderia melhorar o humor das pessoas, mas os cientistas esperam que isolando e estudando o carvacrol seja possível obter novas - e eficazes - drogas antidepressivas.




Fonte : Revista Scientific American